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Microsoft é referência do Google
Ele apareceu faz pouco tempo. É discreto que só mas, numa página tão espartana, ainda assim chama atenção. Está lá no pé, à esquerda, do endereço Google.com: “Altere a imagem do plano de fundo”. A home branca se vai substituída por uma fotografia colorida à beça.
O Google fica a cara do Bing. Há um quê de surreal na situação, como se algo ali não fizesse sentido. O Google copiando o sistema de buscas da Microsoft. E alguém na Microsoft anda feliz da vida: elogio na imprensa não é exatamente coisa com a qual estão acostumados.
Não adianta recorrer a ele. O Bing é bom, sim. Mas não no Brasil. Ele é bom nos EUA. E não é que seja bom em qualquer busca. Ele faz bem coisas bastante específicas.Procurar, por exemplo, passagens de avião para comprar. É uma busca tão sofisticada que entende a flutuação dos preços. Não só informa que um avião sai do aeroporto pedido e a que horas naquele dia como diz se o momento para comprar é bom ou ruim. Se o preço melhora nuns dias ou se não passa disso. Ainda traz retorno muito mais relevante para busca de produtos e preços, ou ainda no retorno de resultados de jogos esportivos, entre outras segmentos escolhidos estrategicamente pela Microsoft.
Adicionalmente, pode se notar que faz só algumas semanas que o Google adaptou seus resultados de busca para imagens. Um scroll para baixo resolve – a próxima patacada de fotos aparece.
Derrubar o Google não é trivial mas a tática da Microsoft é interessante por surpreender: ao invés de tentar construir um site de buscas melhor em tudo, optou por investir em segmentos específicos e a investir na interface. A busca se apresenta mais organizada, mais prática e o produto final é ornado por uma bela fotografia que muda todo dia.
Confirma-se a vocação da internet para estratégias de nicho e sua enorme dependência por usabilidade.
Morre a web, volta o software proprietário?
O artigo de Filipe Tavares Serrano no Estadão setencia: “a web está morrendo, e com ela todo o modelo construído em volta da internet baseado em bilhões de páginas HTML dispersas e organizadas por – não apenas, mas principalmente – uma empresa, o Google. Um modelo em que os concorrentes não têm vez e, por isso, estão criando plataformas onde o Google não pode entrar, como as lojas de aplicativos do iPhone e do iPad e a megalomaníaca rede social de Mark Zuckerberg, o Facebook.”
Essa ideia foi proposta na edição de setembro da revista Wired, publicada na terça-feira passada, em uma reportagem de capa que, rodou, curiosamente, a web.
A primeira é assinada pelo editor-chefe da revista, Chris Anderson, e explica a ideia do fim da web afirmando que as pessoas estão mais recebendo – e não buscando – informação na internet usando principalmente aplicativos e plataformas. Conectado à rede com um celular, tablet, soft-ware ou rede social, o navegador – o browser – perde a relevância e, com ele, a ideia do website. “Plataformas dedicadas funcionam melhor ou se encaixam melhor na vida das pessoas”, diz o texto.
Catastrofismos a parte, a web não morrerá assim como não morreu o livro, o cinema, o radio ou a televisão. Mas certamente, o retorno para aplicativos específicos, com preço muito mais justo (também, o mercado ganhou escala), parece um caminho sem volta.
A web cada vez mais meio, os modelos de negócio online precisando (cada vez mais) se justificar financeiramente. Isso é caminho absolutamente natural. A cauda não é tão longa afinal!
Brasil inovador gera dinheiro
Saiu no Estadão e no blog do Renato Cruz, oxigêncio sobre o assunto!
De tão usada, a palavra inovação muitas vezes parece esvaziada de sentido, desgastada pelo abuso dos manuais de administração. Na cabeça de algumas pessoas, ela se confunde com pesquisa, uma atividade de alto risco, com retorno incerto e aplicabilidade remota.
Não é nada disso. Geoff Nicholson, ex-vice-presidente da 3M e criador do Post-it, deu certa vez uma definição interessante: “Pesquisa é a transformação de dinheiro em conhecimento; inovação é a transformação de conhecimento em dinheiro.”
Por muito tempo, as atividades de inovação foram vistas como coisa de países ricos. Nos últimos anos, a China e a Índia têm ganhado espaço nessa área, como gigantes emergentes capazes de criar produtos e serviços de classe mundial, e, ao que tudo indica, o Brasil começa a fazer parte desse time.
Uma indicação é a entrada da Petrobrás no ranking das 50 empresas mais inovadoras do mundo, da Boston Consulting Group. Estreando no 41.º lugar, foi a primeira empresa da América do Sul a fazer parte da lista. Outra são os anúncios de investimentos de gigantes internacionais, como a GE e a IBM, em laboratórios no Brasil.
“O modelo de inovação está se tornando mais distribuído”, afirma Olavo Cunha, sócio do BCG em São Paulo. “Existe hoje muita inovação vinda de países emergentes.” O relatório da consultoria fala na ascendência de China, Índia e Brasil – dos Brics menos a Rússia – na inovação.
Vou repetir: “Inovação é a transformação de conhecimento em dinheiro.” Alguma dúvida?
Carro de crowdsourcing da Fiat, o Mio
Segue o video de making-of que subiu há uma semana no YouTube do Fiat Mio, o carro filho de crowdsourcing que a Fiat brasileira lançou pioneiramente um ano atrás.
A comunidade que se registrou para sua co-criação soma quase 17 mil pessoas e 11 mil ideias já foram compartilhadas. Seria (será) o primeiro carro feito com os conceitos de inovação aberta e sabedoria das multidões. E poderemos conferir o dito cujo, pelo que entendi, no Salão do Automóvel de São Paulo, agora em outubro.
Inovação precisa de tempo livre e livre-pensar
O blog da Harvard Business Review publicou artigo sobre uma pesquisa realizada pela IBM que recentemente entrevistou 1500 executivos em 60 países. A pesquisa apontou que os executivos elegeram a inovação como sendo a competência de liderança mais importante atualmente.
De acordo com a pesquisa, 80% dos CEOs disseram que o ambiente de negócios está crescendo em complexidade de forma assustadora, o que exige, literalmente, novas formas de pensar e agir. Menos de 50% disseram acreditar que suas organizações estejam equipadas para lidar efetivamente com esta complexidade crescente.
Voltando ao artigo da Harvard, ele apresenta seis movimentos fundamentais que as empresas devem adotar para criar uma cultura de inovação:
1 – Atender as necessidades das pessoas: Reconhecer que questionar a ortodoxia e as convenções – a chave para a criatividade – começa com questionar as formas como as pessoas tem expectativas sobre o trabalho.
2 – Exercitar inovação sistematicamente: Não é mágica, é um músculo que deve ser exercitado.
3 – Cultive a paixão: A maneira mais rápida de matar a criatividade é colocar as pessoas em funções que não excitam a imaginação.
4 – Tornar significativo o trabalho: Dinheiro só paga as contas, mas é uma fonte limitada de significado. Sentimo-nos melhor sobre nós mesmos quando estamos fazendo uma contribuição positiva para algo além de nós mesmos.
5 – Fornecer tempo: Criatividade não tem ponto eletrônico em que você tem expediente de trabalho.
6 – Renovar-se: A terceira fase do processo criativo, incubação, ocorre quando passo de um problema que estamos tentando resolver e deixamos o nosso inconsciente trabalhar sobre ele.
Acho que podemos concluir que inovação passa necessariamente por dar liberdade, livre-pensar, aos seus funcionários. Muito similar às teorias do ócio criativo. Sua empresa está preparada para isso?

